A Meu Ver!


That one with the convulse in front of me

Preciso escrever sobre esse dia pra não passar em branco.

Hoje tivemos de ir pro hospital pra refazer o curativo da minha mãe, long story short, um dos vários problemas que aconteceu com a cirurgia da minha mãe, a cirurgia abriu e ela precisou de cuidados.
Fomos cedo, enquanto eu ouvia o podcast da Joy, The Baker, e da Tracy. Coisa mais fofa, amor do mundo.

Passamos várias horas no processo todo, da ida, metrô, chegada, espera, consulta e por fim o curativo. E tá tudo bem, mesmo com o 'peito aberto', não é algo anormal, diz o médico. De lá fomos pra sala da ressonância, mais espera, minha mãe ouvindo o podcast e gostando :) Mais horas de espera, um lanche, um jejum e depois telefonemas, um colado no outro, que fizeram o meu dia!
Chamaram minha mãe e fomos pra sala de exame, fiquei sozinha e depois mais alguns pacientes vieram. Depois de uns 15 minutos apareceu um senhor com sua mão mordida por um cachorro com quem eu tive uma das melhores conversas do dia, tão lúcido, tão inteligente, tão esperançoso quanto o futuro do mundo que dava gosto de ver, até me esqueci de perguntar seu nome, mas sei que nos encontraremos eventualmente pela vida.

Pós exame, fomos jantar num japonês estilo fast-food, Sukiya, só posso dizer que recomendo fortemente, menos o prato que vem com o ovo em cima. Minha mãe inventou de pedir logo o dito cujo, imaginando que o ovo viria estalado e cozido, o que pra nossa surpresa e nojo não aconteceu. Nem o pedido de cozimento resolveu. Um McFlurry de Ovomaltine depois e uma volta no metrô pra conseguir sentar, perdemos o ônibus que nos deixa na porta de casa.

Logo que chegamos em casa vimos as luzes acesas, as hóspedes estavam em casa, obviamente, entramos e nos deparamos com a pequena passando mal. A mãe disse que ela estava vomitando, até aí ok, eu enquanto criança ou não, passo mal tão facilmente que já virei motivo de piada. Minutos depois a menina parecia um massa de tão mole e inicialmente, devo confessar, achei que era fricote dela; depois de uma pequena discussão por parte da mãe, a menina parou de responder, não falava com nenhuma de nós e os olhos ficavam lá abertos, estatelados e aos poucos ia fechando as mãos, a única reação que teve foi estender a mão no cobertor, puxar um fiapo de pêlo, por na boca e se pôs a mastigar (?).
A mãe da pobre desesperada, quase chorando, se vestiu e nós chamamos a emergência; a sogra dela ligou curiosa pra saber o que acontecia, o desespero dela só aumentava. Coloquei a mão no pescoço da Victória e senti a respiração, ela tava quente, mas as bochechas estavam roxas e o coração muito acelerado, conseguia sentir como se estivesse na minha mão.
O telefone tocou, comecei a descrever os sintomas dela pra alguém que eu achava ser a 'futura avó' e enquanto descíamos as escadas, ví um galo azul em sua testa. Lá embaixo, enquanto esperávamos pelo resgate - a pessoa que falava comigo era a responsável pelo resgate, que me disse que não tinha ambulância alguma disponível - a mãe começou a ficar mais desesperada e a gritar por socorro, quando o porteiro do prédio resolveu ajudar e as levou de carro.

Nem cabe a mim julgar nada e ninguém, mas o modo como as pessoas agem e reagem mostra quem realmente está apto a cuidar ou criar uma criança. Desde o início minha mãe perguntou o que ela tinha comido, se havia caído, a resposta foi negativa pra ambas as perguntas.
Algum tempo depois, me deu um estalo, ela comeu as pastilhas de cânfora pra matar insetos, tinha certeza absoluta. E depois tive certeza de que sua cabeça bateu em algum lugar, não sabia se fora na hora que passava mal no banheiro ou em algum outro lugar. Porque ela ficou sozinha quando a mãe estava empenhada em limpar o lugar, o menor dos males na hora.

Depois de um tempo a mãe nos ligou, dizendo que era uma convulsão o que a menina teve, o porteiro só nos avisou depois que no meio da caminho ela começou a 'espumar' pela boca. Que só depois ela lembrou que a menina disse que tinha comido uma 'bala amarga', ela brigou mas não prestou atenção e que a menina tinha batido a cabeça num poste (!!!) e ela nem tinha comentado. Hora mais tarde ficamos sabendo que a cânfora não é tóxica a ponto de matar e que há a probabilidade de a menina ter meningite.

Ela não morreu, graças a Deus, mas essa foi por muito pouco.

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